Monday, January 15, 2007

2 filhos e depois se separou

Mesa estava lotada de crianças do colégio.
De uma ponta a outra todos gritavam, soltavam aquela energia acumulada, brincavamos e até inventamos uma passagem secreta por debaixo da mesa.

O momento chegara, hora do parabéns mais esperado. Ela estava linda, me deu um calafrio tremendo, só de pensar que depois de soprar as velas todos saberiam, os pais dela (meu deus!),
estava arruinado.

Tímido como sempre fui me deu vontade de fugir .

A apenas duas semanas atrás tomei coragem e pela primeira vez e segurei a mão dela. Porém antes me declarei por uma carta escrita em papel amaçado que com muito cuidado deixei ao lado de seu estojo, a classe estava vazia na hora do recreio. E só depois que ela olhou para mim com os olhos brilhando foi que soube que sim.

Já não dava mais para esconder e resolvi ser firme.
Afinal era meu amor. Planejava nosso casamento, 2 filhos e até ficarmos velinhos juntos.

-Não vou fugir!

Tapei meus ouvidos para não escutar!
. . . parabéns pra voce . . . (é agora)
. . . com quem será . . . (frio na bariga)

Aquele som abafado entrando no meu ouvido, coração pulando adrenalina a mil. Só ai que olhei para ela, depois que acabaram de cantar. Não via nem escutava mais ninguém enquanto ela caminhava em minha direção.

Ganhei o primeiro pedaço de bolo e um beijo na bochecha.
De olhos fechados resolvi fazer um pedido
- Que seja para sempre!

Fabio Seixas

Wednesday, January 3, 2007

Hoje gritei com as paredes

Hoje gritei com as paredes.
aquele branco mórbido de hospital já me incomodava àlgum tempo.

Peguei a primeira caneta que vi na frente e escrevi sobre tudo, a parede que antes parecia um ice-berg, frio e assustador, ia se derretendo a cada frase escrita. Prescisava me libertar daquilo, horas regradas, pessoas vazias, violência e esse mundo corrompido. Mundo esse que faz menos sentido do que qualquer loucura que eu seja capaz de alimentar.

Cansado de tentar me expressar, aquele lençol duro e branco, começei um jogo da velha mas sempre que ganhava também perdia, eu era XIS eu era o ZERO, o melhor resultado que conseguia era o empate. Acho que foi ai que percebi a minha incapacidade de mudar tudo.
De mudar o mundo.

Sentei e chorei.
E aquela parede que antes parecia tão afastada foi a única a me acolher e deixar eu desmanchar em seus braços.


Fabio Seixas

Tuesday, January 2, 2007

De pés descalços

A lua brilhava tão forte
que refletia toda sua luz sobre o mar
parecia que tinha sido feita só para nós,
apenas nós que estavamos naquele recanto de mundo.
lugar nenhum estaria igual.

Não que a lua estava ali para se destacar.
mas completava com perfeição todo o cenário,
que parecida ter sido desenhado a mão
e moldurado por nuvens calmas.

de pés descalços
fiz meus pedidos

deu saudade dos meus pais, irmãos, amigos que passaram perto e longe, essa data
pessoas especiais que fizeram meu ano
terminei por molhar meus pés
e esperei as 7 ondas encontra-los

o peito apertado vinha se aliviando aos poucos
desde que fechei o meus olhos, junto a água, 12 messes da minha vida passaram como um raio
em poucos minutos de reflexão a última lágrima escorreu de encontro ao Atlântico
dele emergiu um gratificante sorriso, que tomou posse de todo meu corpo.

eufórico, pelas conquistas de todo um ano
pelas experiencias que passei
e pelas mais novas amizades;
simplismente por tudo isso a alegria veio me brindar com felicidade

assim, de pés descalços
tudo começou novamente

Um novo ano
repleto de anos velhos dentro dele
para que eu me lembre de onde eu vim
e saiba onde quero chegar.

Fabio Seixas, jan 2007