Monday, May 28, 2007

MEDO - DA Série "As minhas sete mortes"

Estava prevendo mais uma morte,
passei o dia inteiro pensando nisso,
acordei com medo . . . medo de morrer.

O que aconteceria ?
Minha familia ?
Aquela paixão que tinha pela vida ?

O dia inteiro me fiz o favor de poder viver.
sai pela rua caminhando. respirando ar puro.
As vezes achava que não estava lá, entrava em transe com pensamentos além das idéias cabiveis anunciadas em minha existencia.

meus valores haviam sumido.

Foi ai que arrastei minha mão contra a parede. e me veio a dor, sangue . . .
Repentinamente vivo denovo, humano ao extremo. percebi que minhas fragilidades também estavam sendo abaladas pelo meu pensamento, inútil claro.
pois meu destino aquele dia eu já sabia . . .

muito medo te tudo e de todos,
as luzes piscavam sempre no vermelho
e os carros em altavelocidade não deixavam eu se quer atravesar a rua
mas penetrava entre eles sem medo ser atropelado.

pois meu destino eu já sabia.

um velho parou ao meu lado e falou algo que não prestei a atenção
me veio a cabeça como seria bom chegar aquela idade.
mas já basta . . não merecia.
não merecia nem meus remédios de cabeceira.

tinha medo de tudo
do amanhã, do hoje e até do que já passou.
de perder, ganhar.
sempre me sabotei . . . minhas vitórias não passaram de ilusões em minha cabeça.

O que sempre realizei em meus sonhos, nunca fui predestinado a ter em vida.

Por isso precisava seguir adiante, para outra.
deixar esses anos de lado . . . tremendo . . . como o covarde que fui.

Pela primeira vez o sinal verde abriu em todo aquele dia.
sabia que era a hora.
me joguei no meio da rua
um caminhão me pegou em cheio.

foi assim que morri pela quarta vez.
morri de medo.


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Fabio Seixas
maio 2007

Saturday, May 12, 2007

Saudades - Da série "As minhas sete mortes"

Começei morrendo lentamente, anos atrás.

Na verdade minha passagem começou com sintomas opostos.
Vitalidade, sorrisos, troca de olhares, abraços e beijos.
foi uma falsa ilusão de eternidade
que durou apenas poucos messes.

milhares de quilometros nós separaram

Depois disso tivemos mais um encontro, o nosso último
Subimos montanhas, banho de mar, nos deliciamos de minutos inesquecíveis
Com um por do sol que só se mostra para os apaixonados
Tudo isso foi apenas uma recaida, daquelas boas.

Após nosso encontro o destino resolveu impor uma proibição
cercada por dúvidas, falta de amadurecimento,
e pouca coragem para decidir.

Desde então "vivo" de saudades. morrendo aos poucos.
Dias acordo sem vontades e nem forças,
lágrimas caem uma por cima da outra.
Pontadas no coração me atacam no meio da rua quando
lembro dela, essa saudade desperta terremotos dentro de mim.

Ontem me exclui do mundo,
já prevendo meu fim,
de rosto inchado e coração apertado
decidi me enterrar dentro do quarto.

Muito fraco escrevi minhas últimas linhas,
nosso amor contrastado com a distância dos nossos corações,
deixando claro a minha experiência própria a respeito dos nossos momentos
fiz meu pedido para que eu ainda tivesse uma chance de te ver.

foi assim que morri pela quinta vez
Com saudades morri de tanto te querer.

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Fabio Seixas - maio 2007